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Quanto dar de Dizimo?

O dízimo deve ser realmente 10%, ou o que achamos que está ao nosso alcance? Há evangélicos paupérrimos que dão fielmente 10%... Há casos em que seria imprudência dar 10%? Um médico e um padre me alertaram para confiar em Deus sim, mas sem ser imprudente. (Francis Bráulio Morcerf – Eugenópolis/MG.)

Essa é uma questão cuja resposta depende, inteiramente, da medida da nossa fé, e da compreensão que temos do sentido do dízimo.

No Antigo Testamento vigorava a Lei mosaica, que determinava em dez por cento a parte a ser devolvida a Deus em sinal de reconhecimento pelos bens recebidos do mesmo Deus.

Naquele tempo e naquele contexto havia, sim, um percentual fixo estabelecido. A Lei servia de “muleta” e de “corrimão” para orientar a caminhada de um povo de cerviz dura, incapaz de discernir por si próprio o caminho. Se, por um lado, a lei escraviza e limita nossas possibilidades, também é verdade que ela proporciona segurança e conforto: muitas vezes, é mais cômodo obedecer ordens do que interrogar nossa consciência, assumir a responsabilidade por nossas escolhas. Por isso é que o povo no deserto sentia saudades da escravidão do Egito, achando preferível a mediocridade das cebolas previsíveis ao horizonte insondável da liberdade, com todas as possibilidades e riscos de uma realidade nova e desconhecida, ainda por construir. Por isso, também, Pedro sentia falta de uma “medida” exata para o mandamento do perdão... (Mt 18,21-22).

Mas Jesus aboliu todas as medidas, inaugurando a “lei” do amor que não admite meios-termos, que acolhe igualmente o filho pródigo e o filho obediente, e se entrega totalmente a todos os que lhe dizem “sim”, seja na primeira hora, seja na última. Para Jesus, o único amor verdadeiro é o que se doa “até o fim”, e esse é o mandamento novo que ele nos deixou: amar como ele amou.

Por isso, o Novo Testamento já não fala em dez por cento, mas, em vez disso, diz: “Cada um dê conforme o impulso do seu coração, sem tristeza nem constrangimento. Deus ama a quem dá com alegria” (2Cor 9,7).

Podemos, certamente, ver nessa passagem um “abrandamento” das regras, um sinal de que estamos “livres” do “jugo” da Lei. E é verdade. Não somos obrigados a nada e podemos, sim, definir o valor do nosso dízimo segundo aquilo que “achamos que está ao nosso alcance”. Ninguém precisa, nem deve cometer imprudências em nome da fidelidade a Deus. Viver a fé é muito mais do que cumprir preceitos ou contabilizar renúncias.

Por isso mesmo, quando sentimos falta de um parâmetro pelo qual avaliar a medida de nossa generosidade, de forma a poder justificar-nos perante nossa consciência, isso é um sinal de que nossa fé ainda é pequena, e de que ainda não aprendemos a amar. Ainda pensamos estar “dando esmolas” a Deus, abrindo mão – mais ou menos generosamente – de algo que nos pertence, ou então pagando, por honestidade, uma conta devida.

Na verdade, não pagamos conta alguma, pois os dons de Deus são gratuitos. É certo que tudo lhe devemos, mas também é certo que ele nada nos cobra. E tampouco damos algo nosso, pois Deus já é o legítimo dono de tudo o que somos e temos.

“Onde está o teu tesouro, aí estará o teu coração” (Mt 6,21). Se o nosso coração estivesse em Deus, saberíamos que, tendo Deus, temos tudo, já que é dele que tudo nos vem. Investir tudo em Deus é, portanto, a atitude mais prudente que possamos ter, e a verdadeira “imprudência” não está em nos doar demais, e sim de menos! Pois quanto mais o nosso coração estiver cheio de nós mesmos – e do apego aos bens destinados a satisfazer nossos desejos – menos espaço sobrará para a verdadeira riqueza que é Deus e sua Graça.

Achamos que dez por cento é muito? Que o Novo Testamento nos “liberta” do jugo de uma lei demasiadamente severa? Pois a verdade é que Cristo não nos pede menos, e sim mais: “Quem não renunciar a tudo o que possui, não pode ser meu discípulo”... (Lc 14,33).

Qual a nossa vantagem, então? É que agora já não somos escravos, mas filhos. Já não seguimos Jesus por temor, mas por amor, e nos entregamos a ele não por imposição, mas por livre escolha, por saber que nisso consiste a nossa felicidade.

Se nos sentimos realmente filhos amados, não faz sentido colocar limites à nossa confiança em Deus, como se, a partir de um certo ponto, a confiança se tornasse imprudência! Ou Deus merece toda a nossa confiança, ou não merece nenhuma... Acaso pode ser mais “seguro” confiar no dinheiro que os ladrões podem roubar e a inflação pode comer, do que no Deus que tudo criou e de tudo é Senhor?

Mas... E então? Haverá, ou não, algum caso em que “seria imprudência dar 10%”?

Certamente que sim! Se ainda estamos dando nosso dinheiro, e não o nosso coração; se ainda não nos desapegamos de nós mesmos o suficiente para confiar plenamente em Deus, então não tenhamos atitudes para as quais não estamos preparados! Mais do que imprudência, isso seria hipocrisia!

Cada um dê “conforme a medida do seu coração”, diz a Palavra. Deus aceita essa medida, seja ela qual for, desde que nos permita “dar com alegria”! O dízimo não é uma aposta, um desafio (“vejamos se Deus cumpre realmente a sua promessa!”), e muito menos um investimento: se damos para “receber cem vezes mais”, então não estamos dando, e sim comprando; não estamos mostrando desapego, e sim, ao contrário, ganância. Não estamos servindo a Deus, mas nos servindo dele... e isso pode fazer com que nossa oferta seja rejeitada, como a de Caim. Melhor não tentar parecer o que não somos...

Nossa preocupação não deve ser com a porcentagem do nosso dízimo, mas sim, com a parcela de amor que o acompanha e motiva... pois é só essa que Deus irá medir. E, se nos concentrarmos nesse aspecto essencial, a outra questão se esclarecerá por si... Pois já não se tratará de uma “lei” a cumprir, de um mandamento imposto de fora, mas sim, de um impulso do coração.

Quando amamos, será que precisamos que alguém nos diga “até que ponto” amar?

Tirado:http://www.catolicanet.com
Fonte: Margarida Hulshof
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