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Trânsito e responsabilidade pública por Dom Washington Cruz

A realidade indaga a evangelização. Opõe-lhe questões candentes. Clama por proposições éticas. Afinal, Evangelho que não se torna vida, corre o risco de tornar-se letra morta e apenas um conjunto estético.

É com essa inspiração inicial que, como Igreja, se lança um olhar sobre a realidade que nos circunda e interpela fortemente. A Igreja, afinal, está na cidade, sobretudo. As questões urbanas pululam ao redor da nossa pastoral e com ela dialoga inexoravelmente. Olhar para a realidade com o olhar de Cristo é a exigência de qualquer ação pastoral que deva ser, consequentemente, libertadora e responsável pelo bem e pelo destino último da civilização.

Estando na cidade e vivendo os clamores das duras realidades das populações que nela habitam, um dos dramas severos que tocam profundamente a vida eclesial é a vulnerabilidade da vida perante a dura realidade do trânsito. Somente em 2014, o trânsito sucumbiu 43.780vidas de modo abrupto, repentino, doloroso, desumano. No mesmo ano, outras 159.967 pessoas foram internadas em hospitais públicos ou privados, trazendo vitimizações e marcas físicas, algumas de menor gravidade, porém outras deficiências lhes foram imputadas em seus corpos de modo permanente.

No estado de Goiás, no mesmo período, foram conduzidos aos cemitérios os corpos de 2.148 pessoas, retiradas de suas famílias, extirpadas de suas trajetórias profissionais, anuladas dos convívios com amigos e parentes próximos de modo abrupto e por atos irresponsáveis praticados por si mesmas ou por outrem no trânsito na grande Goiânia.

Segundo estudo recentemente realizado, cerca de 82% das vítimas fatais são compostos por homens. Certamente por pais de famílias em sua ampla maioria, já que os estudos mostram que apenas 28% dos que morrem no trânsito possuem idade abaixo dos 29 anos.

A pressa é a grande inimiga da dignidade humana no trânsito. Os órgãos oficiais do trânsito na Capital indicaram a imputação de 229.895 multas ao longo do ano passado, por pura pressa, já que em decorrência do excesso de velocidade.

Certamente um dos fatores que subjazem a essa triste realidade seja o excesso de egoísmo que tantas vezes marcam muitos dos cidadãos, preocupados, não raro, com seus próprios trajetos, com seus próprios horários, com suas próprias rotinas e, o que é mais grave, com ampla capacidade de tomar a direção de um veículo portando em suas correntes sanguíneas dosagens alcoólicas muito acima do permitido.

A cidade não pode se tornar um sinal da grande meretriz que devora seus filhos, como se vê metaforizado no texto do Apocalipse (17,5-6). Como lecionou Santo Agostinho, a cidade dos homens precisa se espelhar na Cidade de Deus, onde a paz, o respeito, a concórdia parecem reinar.

Nesse sentido, é preciso, na verdade, bem mais do que a educação para o trânsito e para a necessária aplicação de penalidades previstas no Código de Trânsito Brasileiro. É preciso formar pessoas humanas com outra referência de respeito ao outro, de responsabilidade para com a vida e de corresponsabilidade para com os destinos comuns que a vida urbana apresenta.

A paz no trânsito será possível com adoção de comportamentos, por parte do conjunto dos usuários das redes públicas de mobilidade, que atentem para o respeito para com o outro. Urgente será a mudança de mentalidade no sentido de respeitar uns aos outros. Isso também é expressão consequente e concreta do amor. Assumir a condução de um veículo com responsabilidade e com zelo para com a vida do outro é sinal de maturidade e de prática da caridade e do amor concreto, que traz apelos concretos para todos os cidadãos.

Cada qual procure responder ao chamamento pela responsabilidade no trânsito. Peço às paróquias e comunidades, à Pastoral Social e aos Movimentos Eclesiais, que façam chegar no coração de cada pessoa este apelo por uma mudança de mentalidade no trânsito e de hábitos na condução de seus veículos e no trânsito de um modo geral.

Nossa Senhora da Boa Viagem, a cada um proteja e interceda por todos.

 

Dom Washington Cruz,CP

Arcebispo Metropolitano de Goiânia

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