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Desafios para uma Pastoral Urbana

Pe. Luiz Gonzaga Lôbo, professor universitário, animador de Pastoral da Arquidiocese de Goiânia e administrador paroquial da Catedral Metropolitana de Goiânia, analisa a realidade da crescente urbanização e os desafios que ela coloca para nosso trabalho pastoral

Deparamos hoje com um grande desafio que se denomina Pastoral das Grandes Cidades. A Arquidiocese de Goiânia conta com mais de 1.500.000 habitantes, e a Capital está no rol das grandes cidades brasileiras. Vamos então levantar algumas características básicas das grades cidades, que servem também para Goiânia.

1- CARACTERÍSTICAS DAS GRANDES CIDADES

Segundo o relatório do 2º Seminário de Pastoral Urbana - Belo Horizonte, 1993, as grandes cidades têm as seguintes características:

São uma realdiade dinâmica, que se transforma rapidamente. Por isso é importante estar atento às mudanças, verificar as situações "de fato" e não confiar em estereótipos.

População flutuante que mora nos municípios circunvizinhos; ou pessoas que vêm à capital para comprar, tratamento médico etc.

Espaços bem definidos: área de trabalho, residências (condomínios fechados) lazer, serviço, obrigando o deslocamento. Entra aqui também a segregação entre as classes sociais. Os pobres cada vez mais empurrados para a periferia (o crescente empobrecimento das massas).

As mudanças econômicas levam ao crescimento de uma economia informal, muitas vezes também ilegal ou clandestina. "A economia exige maior qualificação de executiva e funcionários, de um lado, e gera desemprego da mão-de-obra não qualificada, do outro.

Ineficiência dos serviços públicos (ex.: segurança pública, Judiciário etc.), fazendo surgir um poder paralelo, mediante violência.

toda a realidade social se torna fragmentada. Também o indivíduo assume um comportamento fragmentado. Procura uma síntese, buscando a sua identidade através da cultura de origem ou da adesão a grupos religiosos (ex.: religiões novas ou seitas) que trazem uma identidade bem marcada. (Neste sentido, não podemos esquecer os fenômenos da Nova Era e movimentos espiritualistas).

Há diminuição de controle social tradicional - levando a uma falsa autonomia (por ex.: o conceito de liberdade tradicional é profundamente questionado hoje) enquanto outras formas novas de controle social vão surgindo, como é o caso do consumismo, meios de comunicação social, especialmente a televisão.

A atividade intensa das pessoas durante a semana faz com que o fim-de-semana seja ocasião de fugir da cidade para buscar isolamento e descanso, perdendo o sentido do Domingo como o Dia do Senhor.

Ainda bem presente estão os movimentos sociais urbanos (embora enfraquecidos), como por exemplo a Campanha contra a Fome, em favor dos Sem-Terra, contra a corrupção, pela ecologia.

Também na grande cidade há uma separação ente o "sistema de produção" (comércio, lucro, bancos etc.) e o "mundo vital", entendido como o espaço onde as pessoas buscam relações de comunicação e solidariedade, procurando o sentido de sua existência (é neste mundo que predominam a cultura e a religião).

Presença de uma religiosidade profundamente subjetiva, buscando respostas imediatas às "angustias e necessidades dos ser humano urbano". Este tipo de religiosidade tem sito motivos de exploração de "igrejas que parecem mais empresas comerciais", como é o caso da Igreja Universal do Reino de Deus.

Também surge nas grandes cidades uma "busca de experiência religiosa autêntica". Mesmo assim, essa busca é voltada principalmente para a experiência pessoal e pouco valoriza a religião institucionalizada, tradicional.

As grandes cidades refletem hoje situações humanas que estão acima do alcance das comunidades tradicionais (p. ex., paróquias). Estas situações são sobretudo a questão dos sem-teto, dos meninos e meninas de rua; dos mendigos e drogados, da mulher marginalizada e, mais recentemente, a questão dos Sem-Terra, que toca diretamente nos poderes constituídos.

As paróquias se mostram cada vez menos eficazes diante desses desafios das grandes cidade. Primeiro, estão delimitadas em determinado espaço geográfico; não dão um atendimento diferenciado às pessoas; e, muitas vezes, a prática pastoral não contempla a diversidade de situações.

Nas grandes cidades encontramos as grandes massa, muitas vezes desprovidas de tudo, afastadas da Igreja, feridas na sua cidadania etc. quando o Doc. 54 da CNBB (Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora) como também o Doc. 56 (Rumo ao Novo Milênio) nos lembram que a ação evangelizadora deve atingir os que estão fora, querem nos mostrar que atuar com as massas, a partir da fé e em função da fé, será sempre um grande desafio da Pastoral Urbana. (Ver também os textos preparatórios para o próximo Intereclesial de CEBs, a realizar-se em São Luís do Maranhão, em julho de 1997).

As grandes cidades hoje desafiam as Igrejas e todas as formas de Evangelização. Evangelizar hoje significa penetrar nos espaços de poder da cidade e "nos nervos da cidade" (Jornal de Opinião, nº 364, p. 6)). Atingir os "nervos da cidade" (expressão do Padre Fernando Altemeyer júnior) parece-me significar saber trabalhar com os meios de comunicação social, entrar na dinâmica da cidade, penetrar nos centros do poder, dialogar com o mundo da intelectualidade e culturas; e, sobretudo, a Igreja ser presença viva pública onde há grande fluxo de pessoas e redes de comunicação humana.

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