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Religião e poder: perigo de guerra

Sem paz entre as religiões, na há paz mundial. No Brasil, raia um traço de esperança quando constatamos a relação cordata entre as religiões monoteístas. Tanto mais importante tal fato quanto mais vivemos momentos extremamente confuso no cenário mundial depois da derrubada das Torres Gêmeas. Os analistas mais lúcidos e perspicazes se afastam dos extremos maniqueístas de reduzir a crise atual a um combate apocalípltico entre as forças do bem e do mal. Mergulham na realidade mais profundamente para descobrir as raízes que envenenam as relações entre nações, povos, culturas e ideologias.

As análises assemelham-se a camadas geológicas. Quanto mais se escava, mas encontram-se diferentes estratos até então desconhecidos. A primeira mirada sobre a atual conjuntura faz-nos pensar em ações enlouquecidas, monstruosas. Análise fácil e que nos deixa tranqüilos. Uma vez que os causadores são anormais, doentes mentais, loucos ou fanáticos, a solução do problema é simples: prendê-los, interná-los, eventualmente condená-los à morte e tudo voltara à tranqüilidade anterior.

A imprensa tem veiculado muito tal análise superficial, deformada e simplista. Tudo se concentra na caça aos criminosos para eliminar na raiz o mal. É a terapia de isolar os enfermos de doenças contagiosa. Louca seria a Secretaria de Saúde que se restringisse a tal procedimento.

Imediatamente procuram-se os focos de enfermidade. E os focos, muitas vezes, remetem a situação mais graves de higiene, de miséria, de condições de vida. Uma profilaxia correta vai recuando lentamente do isolamento do doente até sanar as fontes da eclosão da epidemia para evitar novos casos.

A mentalidade religiosa situa-se no momento sob a mira da suspeita de que ela é um dos focos da intransigência e de ações violentas. As entrevistas feitas pelo Jornal de Opinião permitem descartar um conflito religioso entre cristianismo, judaísmo e islamismo aqui no Brasil. É um fato auspicioso, que significa maturidade das religiões, tolerância e capacidade de diálogo.

A questão vai mais longe. Pergunta-se se nas religiões monoteístas não se esconde certo dinamismo de violência, já que historicamente elas a provocam em muitos momentos e lugares. Cruzadas, genocídios, escravidão, shoah, guerras de religião, torturas, condenações à morte em fogueiras e tantos outros exemplos. A tentação é de atribuir à religião muçulmana e eclosão desta última onda de violência.

Questão complexa. Cada surto de violência religiosa na história merece uma análise própria e não permite uma generalização sempre perigosa. A religião de si não parece ser violenta. Religa o ser humano com a Transcendência. Abre-o para o Mistério maior. Fala-lhe do Insondável. Torna-se, porém, extremamente perigosa quando se une ao poder - político, econômico, ideológico - e quando por ele é usado como força de mobilização da consciência. Jesus foi vítima da violência assassina da religião quando tocou o poder do Templo, dos sacerdotes, dos fariseus, dos saduceus que terminaram por tramar-lhe a morte. Mas ele mesmo continuou fiel à sua religião, testemunhando uma confiança inabalável em Deus, seu Pai. talvez aí tenhamos uma luz! Religião é fonte da paz. Religião casada com o poder, perigo de guerra!

Padre João Batista Libânio
professor do CES da Companhia de Jesus,
em Belo Horizonte, e autor de váriás obras.

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